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Você é perfeccionista?

Updated: Nov 4, 2020

Quando eu ainda vivia no Brasil, perfeccionista não era um termo que se aplicava à mim. Passado um ano após minha imigração para a Holanda, eu percebi que algo havia mudado internamente. Medo extremo de cometer erros, inúmeras comparações com outras pessoas, pensamentos como “isso não está bom o suficiente” ou “poderia ter feito melhor” se tornaram constantes em meu comportamento. Assim como a tendência a evitar situações desconhecidos por medo de errar.


Tudo isso me causou muito estresse, eu sentia que vivia sobressaltada, em estado de alerta e sempre almejando o 100%.


Essa é uma situação familiar para você? E você já se imaginou, assim como eu: “Mas afinal, o que mudou em mim?”


O que é perfeccionismo?

Em modo geral, de acordo com a psicologia e a neurociência, perfeccionismo pode ser categorizado em dois tipos: o adaptativo e o mal-adaptativo.


O adaptativo é considerado saudável, caracterizado por motivação e disciplina, se o indivíduo não atinge o desempenho que deseja, não se deixa abater e sabe como contornar a situação. Já o mal-adaptativo é quando há extrema frustração com o próprio desempenho e falta de satisfação quando não se atinge metas.


De acordo com pesquisas, pessoas com traços ou perfil perfeccionistas são mais vulneráveis à depressão, baixo auto-estima, estresse, ansiedade. Assim como mais propensas à sentimentos de tristeza, raiva, invalidação e isolação.


Isso porque o perfeccionismo mal-adaptativo provoca estado de ansiedade constante em nosso cérebro. Quando isso acontece, superativamos uma parte responsável pelo nosso modo de “luta ou fuga”. Resultado? Estresse emocional e frequente estado de alerta.


Perfeccionismo e adaptação à um novo país

Eu não sei você, mas para mim demorou um tempo para entender como todos os sistemas holandeses funcionam. Meu primeiro ano foi cheio de pequenas gafes. Eu me sentia, realmente, como uma criança: vulnerável e dependente do apoio dos outros para quase tudo. As pequenas coisas que eu fazia no Brasil, no modo automático, me levaram muito mais tempo para realizar aqui. A sensação de frustração, claro, foi natural.


Aprender sobre a nova sociedade em que escolhemos viver, seja desde compras de supermercado até como conseguir uma hipoteca, leva tempo. É natural que a confusão venha após a introdução inicial. A acumulação dessas pequenas tarefas diárias, que mais parecem um monte Everest a ser escalado, criam uma sensação de que não somos eficazes o suficiente.


Isso também causa impacto na percepção que temos de nós mesmos. Podemos começar a nos questionar ou sentir que não temos poder ou controle sobre as coisas. Especialmente, se você, por exemplo, tinha seu status social definido no Brasil. E quando digo status, não falo sobre dinheiro ou carreira, mas sim, seu papel dentro do seu círculo social e familiar.


Em minha experiência, essa série de fatores que mencionei acima, colaborou para que eu não me sentisse mais inteligente ou eficaz. De forma inconsciente, meu cérebro quis “corrigir” a situação para garantir controle sobre a mesma. Já que eu não me sentia a mesma pessoa que era no Brasil. E foi quando comecei a desenvolver traços perfeccionistas.


E agora, como lidar?

Photo by rawpixel.com from Pexels

Questione seus pensamentos

Uma das coisas que mais em ajudou foi questionar os pensamentos intrusivos, como “Não acredito que você errou, todo mundo vai saber agora que você é uma farsa”.


Próxima vez que um pensamento autocrítico e intrusivo vier te visitar, desconfie. Pensamentos assim geralmente reforçam o perfeccionismo e distorcem a realidade.


Pergunte-se: Há evidências concretas para este pensamento? Por exemplo, se você acha que não serve para nada só porque fez algo errado, onde está a evidência disso? Simplesmente porque você tem essa avaliação de si, não signifca que ela é real. Atenha-se à fatos. Será que é tudo tão negativo ou você está generalizando uma única experiência ruim?


Examine os seus sentimentos

Quando estiver questionando os pensamentos, conecte-se consigo e perceba qual sentimento vem junto com o pensamento. Raiva, tristeza, frustração? Isso te ajuda a estimular autoconhecimento e entender alguns de seus padrões.


Na pior das hipóteses

Outro exercício interessante é imaginar o que pode acontecer na pior das hipóteses. Será que vai ser realmente o fim do mundo? Ou o fim da sua carreira? Reflita, e ponha tudo em perspectiva.


O que ganho com isso?

Eu aprendi a me perguntar: “o que ganho com isso?” quando sinto aquela voz do perfeccionismo se aproximando. E recuso a me deixar triste. Afinal, se eu mantiver esse tipo de pensamentos, será que eu vou ser feliz?


Perfeccionismo pode se tornar algo muito complicado e debilitante. Por isso, se você sente que esses traços te impedem de viver uma vida em paz consigo mesmo ou te causam ansiedade constante, o conselho é buscar ajuda profissional.



instagram.com/humanistic_coach




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